Jogos deixam alunos mais inteligentes diz estudo

Os videogames apareceram no Brasil em uma época onde as pessoas ainda estavam se acostumando com as cores da TV e certamente houve muitas lendas a respeito da novidade tecnológica. Como uma forma de diversão saudável e dentro de casa desde o tempo Atari que o produto sofreu um certo preconceito. Pessoas diziam que jogar fazia mal a visão, deixava as crianças burras, viciava, deixava os garotos violentos e tantas outras maluquices. Assim como alguns programas de televisão também sofriam, era comum escutar da vovó ou do vovô algo como “isso aí vai te deixar burro”. Se você passou grande parte da infância jogando sabe que não é bem assim, é justamente o contrário. O videogame desenvolve o raciocino lógico e a capacidade de resolver problemas.

Acontece que os adolescentes que usam o Facebook e outras redes sociais diariamente têm notas mais baixas em matemática, ciência e compreensão de texto do que o resto. No entanto, os alunos que passam o mesmo tempo para se divertir com alguns games (não-violentos) possuem notas maiores.

jogar videogame vicia

Tem sempre um cientista pesquisando coisas relacionadas a mitos e verdades, o mais recente foi conduzido por Alberto Posso, professor do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne. A pesquisa visava descobrir se redes sociais e games, especialmente nas versões online, podem prejudicar o estudante nos estudos. A ideia aqui era analisar o efeito disto em suas vidas cotidianas e não alguns casos de alunos que utilizam a tecnologia no meio da aula ou de forma compulsiva a todo momento.

“A verdade é que o que eu esperava não era uma relação negativa entre o uso de redes sociais e notas nas três disciplinas, mas não acho que os videogames ajudam a melhorar as notas, ” confessa surpreso Alberto Posso, autor do estudo publicado na revista International journal of Communication. “É claro que depois de encontrar um monte de leitura sobre o assunto, comecei a ver os resultados mais significativos. Está bem documentado que o uso desses jogos podem reforçar as competências existentes aprendidas em sala de aula e ajudar os usuários a usar números e lógica, como se eles estivessem estudando, mas sem perceber!” Concluiu Posso.

O professor analisou dados de estudantes australianos com idades por volta dos 15 anos com um programa de avaliação estudantil que, além de qualificar o desempenho dos alunos em matemática, ciências e interpretação de textos, recolhe dados das atividades online que eles desempenham. A pesquisa é baseada em uma amostra de 12.000 estudantes australianos de 772 faculdades diferentes e usa as avaliações obtidas pelo PISA (Programme for International Student Assessment).

crianças e facebook

Depois de analisar todos os dados, Posso descobriu que os estudantes que usam redes sociais diariamente tiveram um desempenho menor em matemática do que aqueles que não o utilizam. Se envolver em rede social por um tempo uma ou duas vezes por mês, ainda sim tiveram desempenho menor, contudo não tanto quanto os que passam mais tempo. A as notas em ciência e compreensão de texto também foram menores, em uma proporção semelhante.

Em resumo, os alunos que revelaram participar de jogos online diariamente tiveram, em média, 15 pontos a mais em matemática que o restante dos estudantes. Em ciências, essa média foi de 17 pontos. Posso também afirmou que os jogadores tiveram resultados mais altos na compreensão de textos, mas não tão significativos na base de amostragem.

O teste concluiu que os games são melhores no desenvolvimento da mente do que as redes sociais. O problema de serviços como Facebook, Twitter e Snapchat é a dispersão que eles provocam. A busca por curtidas, visualizações e comentários acionam as áreas de recompensa no cérebro e, portanto, tendemos a procurar esses inúteis momentos de prazer cada vez mais. Uma mente dispersa ou focada em outras atividades vai prejudicar o desempenho do indivíduo nos estudos ou no trabalho, invariavelmente. Não é a toa que tantas crianças perdem muito tempo com paginas sem sentido e acumulando milhares de seguidores que nem conhece.

O pesquisador admite que há muitos outros fatores que influenciam o desempenho escolar. “Embora seja possível desenhar a hipótese de uma relação causal entre as atividades on-line e os resultados acadêmicos, devemos também levar em conta a capacidade do aluno e do ambiente circundante”, diz ele. Aspectos culturais também fazem parte do contexto, além do apoio familiar e conteúdo educacional de qualidade. Mas vários outros estudos reforçam a tese de que os games podem mesmo contribuir para o desenvolvimento de habilidades importantes.

Só para dar alguns exemplos, jogos como Minecraft e Pokémon Go, além de estimularem o raciocínio lógico, as capacidades sensoriais e a rapidez nas respostas, colocam os jogadores em contato com outras pessoas. Isso é importante para o desenvolvimento de habilidades sociais. Um aluno que interage bastante na escola e se sente parte de um grupo terá mais chances de obter boas notas.

Mas os fatos são que “quando você jogar e competir com os outros você forçar-se a melhorar, para resolver mais rapidamente do que o resto para os próximos enigmas e isso implica que são colocados em habilidades práticas e conhecimento que talvez tenham ouvido na sala de aula”, diz o pesquisador, que pensa que os professores devem considerar o uso de jogos populares não-violentos para melhorar o desempenho dos alunos.

É claro que passar o dia todo jogando pode deixar a criança viciada e não é recomendável, nada em excesso é. E é claro que não é porque um aluno não joga e utiliza redes sociais que ele terá desempenho mais baixo. Mesmo assim, estudos como esse são relevantes.

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